quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Os blogueiros noruegueses no Camboja

Se você acompanha alguma notícia de moda com certeza já leu esse título esta semana: Sweatshop - Dead Cheap Fashion.
*Sweatshop: trabalho que explora seus operários; estabelecimento com condições desumanas de trabalho.

O programa foi produzido pelo site do maior jornal da Noruega, o Aftenposten, que levou três jovens fashionistas à capital cambojana Phnom Penh.
São somente cinco pequenos vídeos (10 minutos cada, aproximadamente) que valem a pena ser vistos.


As duas moças e um rapaz participaram de uma imersão na triste realidade dos trabalhadores da indústria têxtil do Camboja, conhecida por explorar ao máximo seus recursos humanos em condições precárias e baixos salários.

Imagine você estes jovens, abaixo de 18 anos, que sempre viveram em um país de primeiro mundo, sendo transportados para a condição infame de uma realidade de trabalho semi-escravo.

No primeiro vídeo ficou claro que eles à princípio racionalizaram as emoções e o choque cultural dando "explicações" banais para a diferença social como "eles [os trabalhadores] sempre viveram assim, não estão incomodados porque não conhecem outra realidade", etc.

Porém, com o passar do tempo, com o maior envolvimento com as pessoas do local e a experiência de trabalho em uma fábrica, todos se comoveram e perceberam que aquilo não é vida, que é um verdadeiro absurdo o que a indústria de moda está fazendo com esse país.

A jornada de trabalho é de 12 a 13 horas por dia, de segunda a sexta-feira, e aos sábados a jornada é "só" de 8 horas.
O trabalho é repetitivo ao extremo. Uma costureira contou que passou 14 anos costurando diariamente apenas ombros de suéter -- quatorze ANOS fazendo todos os dias exatamente a mesma coisa!!!
Os galpões não têm ventilação adequada, faltam ventiladores, as cadeiras são extremamente desconfortáveis e a pressão por produção é enorme.
Ao final desse dia estafante o trabalhador ganhou o equivalente a US$3.

Na casa de uma trabalhadora têxtil de 25 anos, Sokty, eles descobrem como é realmente a vida dessas pessoas: a casa é minúscula ('Nosso banheiro é maior que toda a casa dela'), praticamente sem mobiliário, a área em que ela cozinha é quase dentro do banheiro...

Os casos relatados são de cortar o coração.
- Sokty é levada até a loja Mango onde vê peças que ela mesma costura com um preço que ela não poderia nunca comprar.
- Com US$3 por dia, o supermercado da cidade se mostra uma opção impossível para compra de alimentos, que têm que ser adquiridos em uma feira livre em local sujo, empoeirado, precário.
- Uma moça de 19 anos conta como perdeu a mãe ainda bebê: a família só tinha arroz para comer e a mãe, que ainda a amamentava, morreu de fome.
- Os relatos são de que as condições de trabalhos estão ficando cada vez piores, com o passar dos anos.
- Eles crescem com esperança de estudar e melhorar de vida, porém são empurrados para essa indústria porque não há outra opção.


- Os trabalhadores estão pleiteando um salário de US$160/mês para poderem sobreviver, pois estão todos passando fome.


Que tipo de vida é esse?

Moral da história: a indústria têxtil está escravizando pessoas para que o custo de uma camiseta na Europa seja 10 Euros. Ou, aqui no Brasil, seja R$15. 


Não podemos ser coniventes com isso! Não quero fazer parte dessa atrocidade contra seres humanos. Vamos pagar preços justos, vamos boicotar empresas que vendem produtos têxteis cambojanos (e chineses!). É o mínimo que devemos fazer após assistir a esses vídeos.



 Com essas variações de custo x preço, a indústria deveria tratar bem seus funcionários!


"Eu imploro à você que compra roupas cambojanas: Ajude-nos, estamos sofrendo!"

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