sexta-feira, 12 de setembro de 2014

It-bags

Há 20 anos, quando abracei meu amor pela Moda, via nas revistas as it-bags em seus anúncios com lindas modelos ou nas mãos de celebridades e achava que esse mundo nunca seria meu. Lembro que cheguei a escrever na página da Estilo, sobre uma delas: "Será que eu conseguiria carregar uma bolsa assim?" -- e por "carregar" queria dizer ter estilo suficiente, e por "assim" entenda-se bolsa fina, rica, de grife.


E, como já falei anteriormente, envelhecer não tem só pontos negativos. Pelo contrário, com a maturidade e os entas as despesas com filhos diminuíram, a posição na empresa aumentou e, consequentemente, a situação financeira, que antes não permitia nem sequer pensar em adquirir uma bolsa famosa, se modificou.

Ao longo dos anos fui trocando meus acessórios e a cada it-bag comprada saíam duas ou três das marcas nacionais. Hoje, salvo uma clutch ou outra, que uso pouquíssimo, todas minhas bolsas são de grifes conceituadas.

O que mudou na minha vida com isso?
Curiosamente, a escolha por it-bags terminou com meu vício de compra indiscriminada de bolsas, muitas bolsas. Eu via um modelo novo na Corello e comprava. Via outra de cor diferente na Arezzo e já queria. Idem nas demais lojas. E continuava a querer e comprar a mais nova que houvesse sido lançada. Era um ciclo infinito.
Agora que a compra tem que ser pensada, que não é algo que se faça impunemente, compro menos.

Fora isso, a it-bag é somente a satisfação de um desejo pessoal, não é a porta para a felicidade.
Após a euforia inicial -- acredite, ela existe -- você começa a achar natural que suas bolsas sejam grifadas e as usa como quaisquer outras.

No dia a dia uso praticamente todas, mas na maioria das vezes são as pretas que ganham as ruas. A preta Miu Miu, macia e grande, e a preta Proenza Schouler PS13, trapezoidal. Esta, como não tem uma ferragem ou uma indicação da grife, é a mais curinga de todas. E continua nas prateleiras de NYC: tirei foto de uma idêntica à minha na Barneys NY agora, em ago/14.


Acho it-bags importantes para quem tem grande apreço pelo design [librianas, estamos juntas]. É gostoso você saber que sua bolsa é especial, tem certificado de autenticidade e cuidados extremos de fabricação.
Além do couro italiano impecável de todas e das ferragens folhadas à ouro de algumas, o que me hipnotiza realmente é o design e o acabamento. As costuras são perfeitamente retas e simétricas, o interior é primoroso, nada se compara com elas quando o assunto é luxo no feitio.

Porém, para quem é do time das práticas, não vai fazer diferença alguma. Bobagem investir.

E, de fato, você tem que saber "carregar" uma bolsa assim. Ela não pode ser o centro das atenções, não pode estar lhe ofuscando. Você tem que estar à vontade com ela a ponto de esquecer que tem vários mil dólares no pulso e sair vivendo sua vida do jeito de sempre.

Eu amo minha coleção. Há alguns equívocos, tipo uma Lady Dior framboesa muito estruturada que só consigo tirar do armário quando estou muito inspirada, ou a Gucci Stirrup muito pesada.
Nesta viagem comprei algumas: uma pequenina Saint Laurent preta, uma Chloé que estava namorando desde SP e uma Fendi com monstrinho. Logo mostro. ;)

Só que pretendo diminuir com as compras por um tempo, pois estão me fazendo sentir um pouco de culpa por empatar tanto capital em algo que não tem outro retorno além da satisfação pessoal. Difícil a equação entre desejo e razão...