sábado, 2 de agosto de 2014

Trabalhar fora versus ser do lar

Acabo de perceber que tenho que me controlar muito para não fazer deste blog uma revisita sobre tudo que sai na Revista TPM. Este artigo: ...
QUE SAUDADES DA AMÉLIA?
Tpm foi investigar como fica a liberdade quando as mulheres escolhem ser “do lar”
... está perfeito e não resisti a comentá-lo frente ao meu próprio histórico.


Cresci com ideais igualitários, fiz USP e me formei visando trabalhar e treinar arduamente para futuramente substituir meu pai em nosso negócio familiar, que já era bem grande naquele momento. Nesse meio tempo namorei e casei. Fiquei grávida quando já administrava há cinco anos a rotina da fábrica.

Saí do meu escritório uma semana antes do meu primeiro filho nascer e chorei todo o caminho até minha casa, inconformada de ter fechado minha mesa, recolhido meus pertences, de saber que não iria participar do negócio pelos próximos quatro meses.

Quatro meses depois me encontrei em casa, arrumada para ir trabalhar novamente, chorando desconsolada que não queria deixar meu filho com a babá.

A maternidade mudou TOTALMENTE minha forma de ver o mundo, mudou minhas prioridades.
Passei de absoluta caxias no trabalho para uma mãe caxias, que não queria abandonar seu rebento por nada deste mundo.


Minha solução foi trabalhar meio período na empresa e ficar o restante do tempo com o filhote.
E como o artigo citado bem coloca, essa escolha é um luxo que somente quem é da classe média pode exercer, pois as trabalhadoras de classes sociais menos favorecidas precisam manter seus empregos sob quaisquer circunstâncias.

E para mim essa opção foi perfeita: tive o melhor dos dois mundos durante todo o crescimento dos meninos.

A psicóloga Cecília Troiano diz, no artigo:
“Vejo isso acontecer entre mulheres com mais de 30 anos, que já trabalharam e sentiram que eram competentes. Uma hora, elas pensam: ‘É isso que quero para minha vida? Será que não quero cuidar da outra parte dela?’”. De acordo com ela, isso não tem a ver com submissão. “Não são mulheres que querem ser dependentes do marido, mas que estão optando porque têm liberdade para escolher”, frisa. “Geralmente, elas já fizeram uma poupança e têm um plano B de carreira.”
Corretíssimo. Não acredito que alguém queira viver dependendo monetariamente do marido. Após já termos deslanchado na carreira, se existir a possibilidade de se dedicar um período a ensinar os filhos, considero uma tarefa tão importante quanto gerenciar bem um negócio.


Sobre ficar o tempo todo "no lar"
Neste caso, você terá grande chance de se sentir excluída por não trabalhar. Ao conhecer/encontrar alguém, uma das primeiras perguntas que você ouvirá será "o que você faz?". Diga que toma conta dos filhos e todos lhe olharão com dó.
Na verdade, cada um deveria ter a liberdade de fazer o que quiser, mas na nossa sociedade o trabalho fora é sobrevalorizado e, acredite, você vai querer mantê-lo ou retornar a ele após a experiência em casa.

Hoje, aos 50' eu me dou ao luxo de ficar em casa e gerenciar muito de leve a empresa, via internet. Claro, tenho meu marido que é um administrador fantástico trabalhando lá, ao vivo, e isso faz toda a diferença.
Ainda estou procurando o que quero fazer de agora em diante e o blog é uma das atividades. Porém, quando me perguntam o que eu faço, respondo prontamente: "Sou Farmacêutica, sócia em empresa do ramo".

 Por que não falar que estou sabaticamente em casa? 
Por quê?
Porque as pessoas são muito maldosas em seus julgamentos pré concebidos.
Ficar em casa para cuidar dos filhos e da própria casa é considerado de menos valia. 
MAS NÃO É, desde que seja sua ESCOLHA, que seja o exercício da sua LIBERDADE de opção.

É impossível agradar a todos, seja trabalhando o dia todo fora, meio período ou ficando em casa. Sempre vai haver alguém que criticará, não importa o caminho em questão. Portanto, só se pode apostar em agradar a si própria. Se é sua escolha, vá em frente, não importa o que digam. Não há verdade suprema neste assunto. (haverá em algum?)