segunda-feira, 16 de junho de 2014

Crise fashion

Eu tenho crises fashion. Tenho crises existenciais também. E várias crises referentes às listas de afazeres, a compromissos, a consultas médicas.

De todas, a mais fácil de encarar é, com certeza, a crise fashion. Isso porque, dirão muitos: o assunto é banal, é fútil, é uma bobagenzinha à toa, só pensa nisso quem não tem mais o que fazer.
Será que todo mundo que critica a moda esquece que toda manhã tem que fazer escolhas para se vestir? E que têm pessoas que são mais detalhistas, mais cuidadosas com esse pequeno ritual diário?


A crise
Eu estou me sentindo sem pé nesse assunto Moda.
É muita informação, muito chamamento, desejos novos a cada dia, até por conta do próprio blog, que me faz ler com mais atenção a cada notícia de tendência ou de novidade que aparece na mídia.
Às vezes fala mais alto a sensação de que você "PRECISA" de um item que acabou de ser lançado ao invés da realidade de ficar feliz com o que já tem.
Volta e meia eu julgo que isso ou aquilo não ficam bem para mim pois tenho 50 anos. [por que não fazer como a Ana Soares e sair como quiser, me aceitar sem ligar para regras?]

É que as imagens de desfiles ou blogs me guiam inconscientemente para achar algo bonito ou feio.
Olho vitrines e pessoas como se estivesse numa fashion week, admirando uma novidade aqui, recriminando uma escolha ali. Automaticamente decodificando a referência de tudo.


Nesta crise senti a necessidade de me posicionar melhor sobre a Moda.
O que eu quero com ela? Distração, na certa.
Mas o que eu quero comprando moda? Aceitação? Admiração? Sensação de pertencimento?

Acho que tudo isso junto. Depois de passar uma vida muito regrada, chegar aos 50' e poder ter qualquer item de moda que se queira é algo muito especial. É um prazer, um privilégio alcançado com dificuldade.
Pensava que estava aproveitando isso ao comprar tudo que queria.
E agora preciso internalizar que a moda está fabricando desejos para um consumo em série, porém que a satisfação com o item tem duração muito curta. Sim, estamos falando de obsolescência programada.


Por outro lado
Tenho uma irmã que não liga para nada disso. Ela é uma leonina feroz, que se basta por si própria e, por conta disso, não vê importância em ter uma roupa X ou uma bolsa Y. Ela sai de casa de vestido longo, esteja na moda ou não. Ou de terno clássico com uma echarpe jogada aos ombros. Ou de shorts e rasteira, se assim lhe aprouver. Não liga de ter 50 anos. Não liga se está na moda. Não liga para nada além do seu próprio gosto pessoal -- se ela está feliz vestida assim, é porque está tudo perfeito!


Conclusão
Nunca vou ser como ela ou a Ana, pois saber o que está acontecendo na moda é um hobby para mim, me preenche. Algo a que fui privada por muito tempo e agora não quero abdicar.
Mas dá para melhorar a ânsia de desejo, de "tem que ter" um item.

O ideal seria focar usar só o que já foi adquirido, mesmo que esse item desejo tenha sido trocado por outro rapidamente. Acho que só assim para eu parar e olhar cada peça que já tenho com mais carinho.
Não sei, vamos ver como vou me sair nisso... Afinal, em uma coisa temos que concordar: a gente aqui busca ser feliz antes de mais nada!