segunda-feira, 5 de maio de 2014

Texto: Curiosamente...

Blogueira convidada: Marise Toschi


Em algum lugar da mente está impresso que as coisas têm hora e lugar para acontecer. Geralmente é assim. Mas nem sempre.


Eu não aprendi a andar de bicicleta quando criança. Meu pai tinha um feroz instinto de proteção e achava que o simples fato de saber pedalar me tornaria a candidata preferencial a um atropelamento.
Não adiantava argumentar. Era não e ponto.

Minha irmã teve mais sorte. Aprendeu a pedalar no quintal da casa de uma amiga. Como isso não se esquece, ela faz parte da grande quantidade de seres que sabem se equilibrar sobre duas rodas.

Eu já dava aulas na Aliança Francesa quando fui me dando conta que havia outros como eu. Quando eu comentava em sala de aula que não sabia "faire du vélo" havia sempre uma pequena comoção, seguida de risos e comentários. Fazia parte do meu show, mas através dele fui descobrindo outros não-ciclistas tímidos que iam se mostrando aos poucos.

Mas quem disse que era um caso perdido? Anos mais tarde, aproveitei o "Dia das Mães" para escolher um presente incomum: uma bicicleta feminina, lilás, lindinha, devidamente equipada com rodinhas extras! Isso mesmo, com rodinhas.
O vendedor não podia crer e argumentou que eu não precisaria delas. Fui irredutível. Quero aprender e quero fazê-lo do meu jeito.

Hoje, curiosamente, enquanto meu marido e filho de 14 anos jogam bola, posso dar voltas e mais voltas na minha bike. Tudo na sequência de tempo "errada", de um jeito diferente. E, curiosamente, está tudo certo.
Quem disse que as coisas podem ser feitas de um só jeito?