terça-feira, 25 de março de 2014

Texto: Prisão ou liberdade

Blogueira convidada: Marise Toschi


MorumbiShopping. Uma grande loja de departamento. Coleção nova, vistosa. Adiante, a gerente, que orientava um grupo de funcionários, observou que seria bom se produzissem peças para mulheres que não fossem tão magras. Comentário, em grande tom de desprezo, de um vitrinista:
"Quem quer usar fast fashion tem que ter corpo bom. Se não tem, que procure lojas especializadas".
Mimoso.

Na China, durante séculos, pés pequenos eram sinônimo de beleza. Por essa razão, a partir dos três anos meninas eram submetidas à prática torturante de ter os pés mutilados. Ataduras eram colocadas de forma a dobrar os quatro dedos menores até a sola do pé, forçando o calcanhar a entrar e acabando por quebrar os ossos. Se uma mulher não o fizesse não conseguiria se casar.

Na Mauritânia, ainda hoje ser obesa é ser bela. Para que façam um "bom casamento" mães forçam meninas a ganharem peso. O consumo calórico diário chega a 16 mil calorias. As crianças não podem dizer não. Se recusarem, são severamente punidas.

É fácil para nós dizer que tudo isso é absurdo e desumano, uma vez que estamos distantes dessas culturas. O fato é que os padrões de beleza se alteram de acordo com o local e o tempo.
No entanto, inseridos dentro de nosso próprio mundo, não percebemos que julgamos, classificamos e excluímos pessoas pelo simples fato de não corresponderem a um temporário padrão de beleza.
Quanta arrogância! Até quando vamos considerar inferiores aqueles que não se submetem 100% aos modelos impostos pela sociedade?

Neste momento, em que para alguns a beleza se limita a ser uma cópia de fotos de revista, é preciso despertar para um pensamento mais crítico, descobrir aquilo que nos torna únicos e expressá-lo. Com inteligência, vamos exercer o direito de escolher. Vamos ser livres.




Nos vemos no direito de julgar o que está distante de nossa cultura.
No entanto, por aqui...
Já pensou que Brooke Elliott, a linda atriz do seriado 
Drop Dead Diva, não teria vez em nossas fast fashion
e ainda seria tratada com desprezo por alguns?

Para pensar muito...