sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Rolezinho

Esse assunto está me incomodando há dias, particularmente após ter lido um artigo de jornal que dizia que o movimento só havia virado polêmica por seus participantes serem "pretos e pobres" (sic).
Com essa premissa a autora tecia toda uma teoria do quanto os shoppings são áreas reservadas às classes altas e que a "conquista" desse espaço pelos "pretos e pobres" (novamente - ela citou dessa forma umas 10 vezes) era uma coisa corajosa e que a sociedade estava barrando essa conquista por estar desconfortável em dividir espaço com os "pretos e pobres".

Lindo como discurso de direitos humanos, completamente fora da realidade quando olhado de perto.

shopping do RS
Não importa qual grupo social seja, qual lugar seja: se você vê centenas de pessoas em bloco entrando em um lugar, a reação imediata é fugir pois o comportamento de humanos em grupos extremamente numerosos habitualmente é reconhecido como um sinal de perigo.

Pense em outra situação: você está na praia e vê jovens "brancos e ricos" (para fazer a oposição à ilustração da jornalista) às centenas, talvez um milhar, se aproximando do lugar onde está. Quem não recolheria suas coisas e fugiria o mais rápido possível? Multidões são perigosas, há um instinto que nos alerta sobre isso.

Portanto, não concordo com a visão de que a proibição de "Rolezaum no Shoppim" (foi assim que vi escrito numa convocação) deve-se à vontade de se excluir acesso à uma fração da sociedade a esse espaço - o que há é um receio legítimo de que uma quantidade enorme de pessoas em um lugar fechado acabe em problema.

Se a pessoa que criou o 'rolezaum' tivesse simplesmente ido com sua namorada a qualquer shopping de SP, jamais teria sido barrado na porta. Mas acompanhado de centenas, não há como serem admitidos como bons visitantes.

É uma questão de lógica, não de racismo.