quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Livro: A Elegância do Ouriço

Obra de Muriel Barbery, ambientada na França atual. Extremamente recomendado pelos sites de leituras, tenho que dizer que me decepcionou um bocado. Vamos lá…

O livro é narrado em primeira pessoa por dois personagens, simultaneamente. A estrutura é interessante, porém o texto exagera na erudição e a premissa não me convenceu.


Uma das narradoras é Renée, 54 anos, há 27 como concierge (zeladora) de um prédio de 8 andares de alto luxo parisiense. É uma pessoa de pouca educação formal porém autodidata, lê muito, discorre com igual desenvoltura tanto sobre Dostoiéviski como sobre o cinema japonês.
Apesar disso, se esconde atrás de uma carapaça de pessoa rude e ignorante, fala propositalmente errado quando em presença dos moradores para que estes não percebam sua erudição e se espantem por ela não ser o protótipo da zeladora burra que eles "esperam" ver.

A personagem que divide com ela a narrativa é uma menina de 12 anos moradora do prédio, de inteligência excepcional, igualmente entendida em filosofia, e que pretende se suicidar quando fizer 13 anos por não aguentar a mediocridade de sua própria família de burgueses estúpidos e caricatos.

Perto do final há uma mudança na vida das duas pela chegada de um novo morador ao condomínio, um rico e culto japonês, que enxerga ambas como realmente são, contra todas as demais pessoas que não as enxergam jamais.

Gente, para! 
Achei TÃO falsa essa história de que a zeladora precisa esconder que é educada e inteligente por isso ser o contrário do que os moradores esperariam ver. Não faz sentido!!! Se você tem em seu prédio um funcionário que é inteligente e culto, que mal há? Aliás, não é, pelo contrário, uma coisa excelente?
E uma menina de DOZE anos que discorre sobre o ser e o nada e critica a hipocrisia da sociedade e está disposta a morrer por não suportá-la?
Além disso ao longo do texto há longas demonstrações de erudição totalmente desnecessárias, sobre novelistas russos, cineastas, filmes herméticos, somente para mostrar o quanto a autora é culta.

Portanto, indo contra a corrente que gostou do livro, eu simplesmente NÃO o indico. Pretensioso demais.