segunda-feira, 15 de julho de 2013

Dismorfia

Hoje aconteceu uma coisa estranha: peguei o elevador para sair de casa, na correria habitual, e ele parou em outro andar e entrou a mulher de um 'global' que mora no meu prédio.
Sabe aquela alta, magra e bonita? De calça flare de veludo, bota de bico fino, uma malha fininha com um colete de lã bem volumoso por cima e, ainda, carregando uma Gucci?
Imediatamente olhei para mim e me senti péssima, pois estava de jeans e coturno.  :P


E durante toda a tarde a discrepância entre a imagem que eu tinha visto e a minha própria ficou rodando na minha cabeça. E me fez perceber que eu tenho um sério problema de dismorfia, só que ao contrário: ao invés de ficar vendo defeitos em mim (o normal dessa doença), eu tenho uma ideia mental de que, se me vestir corretamente, vou ter a aparência que tanto admiro, ou seja, algo próximo à da moça em questão. É como se meu cérebro não percebesse a diferença de proporções e apostasse todas as fichas na roupa que, magicamente, me daria a exata imagem ansiada.

Só rindo mesmo! :DDD

Eu precisaria de, no mínimo, mais 15 cm de pernas e uns 10 quilos a menos de peso. O peso dá para resolver (pesei 48kg por muuuuitos anos - anos adultos, não jovens - e poderia conseguir isso novamente), mas as pernas só nascendo de novo. Então, o jeito é deixar como está e tentar melhorar a cabeça!


Eu quis muito fazer uma Consultoria de Imagem justamente porque tinha um ideal que não conseguia colocar no meu dia a dia. Para começar, esse ideal de beleza/moda seria uma roupa extremamente alinhada, aristocrática, usada com um peep toe de salto 10. [Tá vendo a modelo da foto acima, de luvas e trench coat? Pois é...]

Em que planeta eu conseguiria usar isso no dia a dia? Nunca!
Mas a imagem está ali, implantada no meu cérebro, fazendo com que tudo que eu vestisse não "ficasse bom".


Com a consultoria ganhei confiança em apostar no que tenho vontade de usar, e isso me levou a explorar uma pegada mais rocker e também a usar peças menos óbvias e menos formais.

Só que isso tudo não apagou a imagem que deixei guardadinha no subconsciente e que hoje pulou na minha frente, me acusando de inadequada.

Porém, olhando friamente, percebi hoje que de nada adiantaria eu alterar minhas roupas: nunca vou parecer essa imagem idealizada.
Porque mesmo que eu estivesse vestida igualzinha à moça do elevador, não estaria nem de longe parecida com ela, pois não tenho a proporção corporal para isso.
Prova cabal disso é que comprei um trench da Burberry, maravilhoso, mas não consigo usar quase nunca, pois "não fica bem em mim". [leia-se: não fica parecendo a modelo aí de cima] ;) 


No final... 
Tomar consciência dos padrões irreais que muitas vezes queremos seguir é o primeiro passo para não ficar mais lutando contra o impossível. No meu caso, é tentar tirar da cabeça essas montagens que só ficam bonitas em quem é alta e magra. E parar de acreditar que um guarda-roupa perfeito me transformará numa figura chique.

{post de junho/2012 que ficou arquivado, e que hoje achei que valeria ser publicado}