quinta-feira, 28 de junho de 2012

Livro: 40 - Um romance feminino

Li, de uma tacada, o livro de Martha Mendonça: 40 - Um romance feminino.
O título não me atraiu: o que me fez comprá-lo foi um link via Twitter que disponibilizava o primeiro capítulo para leitura online. E esse primeiro capítulo me deixou querendo saber o restante da história.

Trechinho da sinopse:
"Paula fez 40 anos, perdeu o emprego e foi trocada por outra. Em vez da estabilidade que se espera da tal "meia-idade", ele enfrenta um nova começo. Do vazio e do desespero, nasce uma mulher diferente - e, quem sabe, melhor do que aquela tão cheia de certezas e caminhos marcados."

Fiquei super curiosa pensando como essa mulher conseguiria superar esses dois baques: perda do emprego e do marido. O começo do livro é muito bom no sentido de prender a atenção.
Não tem a qualidade de narrativa de um autor clássico, uma escrita primorosa, nada disso. É só uma história que começou muito bem contada.

São 110 páginas, letras grandes, para ler descompromissadamente.

Spoiler
Se você pretende comprar o livro, pare agora de ler, pois vou contar o que acontece (não resisti a comentar).

No final fiquei meio insatisfeita com a trama.
No exato período de um ano ela perde emprego, o marido a troca por outra, ela afunda em depressão, se recupera, começa a namorar um garotão de 23 anos, consegue outro emprego, cria um blog, que faz enorme sucesso instantâneo, começa a ser convidada a dar palestras cidades afora, encontra as seguidoras em um restaurante, pois essas se transformaram em "novas amigas" e se prepara para o próximo aniversário.

Não é muita areia para o caminhãozinho de qualquer mortal, ainda mais para uma mulher que inicia a trama desempregada, traída, desiludida e infeliz porque está fazendo 40 anos?

Nada contra os 40 anos, muito pelo contrário!!!! Totalmente a favor das entas! Só que esse tipo de texto me dá a sensação contrária ao que se propõe.
Acredito que a autora queira dizer que uma mulher enta ainda pode tudo na vida, pode triunfar em todos os campos, romper qualquer tabu.
Porém, a leitura me deu a sensação de que a personagem realmente só poderia ser fictícia e que qualquer pessoa de carne e osso se recuperaria de todos esses percalços precisando de muito mais tempo. E alcançaria sucesso também com muito mais trabalho.
Por isso achei contraproducente: uma mulher real, em situação semelhante à do início, só pode ler isso e, comparativamente, se achar um fracasso.

Sei lá, foi a sensação que me deu pós-leitura.
Enfim, minha opinião...

P.S.: Acho que o que me incomodou mesmo foi a história do blog. :D
Em dois meses ela alcança sucesso absoluto falando para as mulheres de cerca de 40 anos "o que sentia, o que achava que sentia, o que queria sentir". Conheço tanta gente boa, que escreve MUITO bem [alô, Marise] e que não tem alcance algum, devido o número enorme de blogs de todos os assuntos que existe atualmente.
Será que estou amarga, hoje?