quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Você se veste para quem?

Outro dia li uma entrevista do psicanalista Contardo Calligaris na qual ele expunha que as pessoas não se vestem para si próprias, como é hábito se falar. Elas sempre se vestem para o outro, para o olhar do outro. [não consigo lembrar a fonte, para destacar o link, sorry!]

Bom, o fato é que fiquei pensando sobre isso e me dei conta que, mais do que nos vestirmos para os outros (em geral), nós mulheres nos vestimos para sermos vistas por outras mulheres!


Parece paradoxal num primeiro momento, mas se olharmos com cuidado, creio que a conclusão é essa mesma.

Sabe todas essas novidades que adoramos incorporar no guarda-roupa? Color blocking, estampa de bicho, statement shoes? Achamos bonito e imediatamente reconhecemos as referências quando vistas em outra mulher.


Agora, pergunte aos homens o que eles realmente acham das novidades da moda, e você vai se espantar. A maioria acha tudo esquisito e sem cabimento.
- Por quê usar um colarzão tão grande? 
- O que é esse sapato cheio de penduricalhos?? 
- Crédo, laranja com vermelho???


Já a gente tem um olhar educado para buscar detalhes e condicionado às tendências do momento. Por isso achamos tudo que está na moda tão lindo!

Quer um exemplo prático?
O que vocês acham dessas sandálias abaixo:

Não fiz o teste com a ala masculina, mas tenho certeza do resultado: todos vão achar esses modelos esquisitos e completamente dispensáveis!

Enquanto isso, eu acho-os maravilhosos! E, se visse alguém usando um deles, com certeza repararia e cobiçaria a novidade.

É ou não é? 

2 comentários:

  1. A primeira sandália é muito interessante e tem personalidade. As outras, francamente...me inclua no grupo dos homens!!
    Beijos.

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  2. Creio que seja tudo uma questao de contexto :)
    Tanto de como tudo foi combinado (e os motivos ou estímulos para isso), o estilo pessoal e o gosto pela moda atual, a perspectiva e expectativa do usuário, todo o seu convivio social e grupo que se está incluído, além do próprio conhecimento de mundo e experiências.
    Talvez homens vejam apenas a totalidade, analisando somente o resultado ("me agrada ou não por motivo x") sem conseguir estudar a singularidade de um item ou conceito de forma separada (vemos muito isso: ao vestirmos acabam gostando ou sentindo algo diferente por mais que não compreendam bem O QUE deu essa diferença. Não entenderão por conceito, apenas por como fica na prática.)
    Olhando os mesmos itens, sem nada, e sem vestir, não enxergam beleza nem potencial - e quantas vezes não caímos nisso? De uma peça se mostrar muito pior ou melhor, inclusive com o tempo?
    Não podemos esquecer, é claro, de também considerar as expectativas, gosto pessoal e conhecimento de mundo e convívio social do homem (em questão).
    De fato, ter uma visão mais educada nos permite notar melhor os itens e o conceito com mais arrojo e sem tanta necessidade de prova (apesar de ainda ser fundamental). Com isso, acabamos sendo mais atrativas e comparáveis entre mulheres, não necessariamente por aspectos negativos, mas sim positivos. É uma forma de observação e de se adquirir uma alternativa de uso de algo, ou até mesmo perceber que algo era melhor que o esperado. É uma forma visual de aprendizado, de estudo. - do corpo, do conceito e de como usar, ou não usar, e se deve usar (se cai bem).
    A moda nos encarna personagens: os itens nos contam sensações e desejos que temos e queremos, histórias de momentos, épocas, e com isso sentimos indiretamente a vontade de transmiti-las, vivencia-las, de tocar essas figuras interiores que vão determinando um pouco cada desejo e humor do dia a dia, na escolha de itens para compor o look. A tendência ajuda a atualizar ou até a materializar isso.
    A roupa sempre nos representa em algo, e pode não somente acabar inspirando outros(as) como a nós mesmos, em auto - do mesmo modo, outros nos inspiram e se auto inspiram.
    As tendências nem sempre são bonitas (ou diretamente bonitas) e nem sempre caem bem em todos (a esses eu recomendaria evitar que o usem hahaha), mas diante dos hábitos, do costume e da própria aderência, ele passa a se tornar o estilo da época sendo então tolerável, bonito e as vezes clássico, se perdurar.
    Basta notarmos como a cada 5 anos alteramos um pouco nossa visão assimilando melhor certas estéticas que antes eram tão novas, e esquisitas para o hábito, ou então como acabamos retomando anteriores, que até então eram antiquadas.

    A reprovação segue se o gosto pessoal realmente não compartilhar, mas ainda assim o estranhamento se reduz. (um exemplo é o uso de maquiagens coloridas, tendencia oitentista que está ha alguns anos de volta, e os cabelos claros com raiz escura, anteriormente visto como mal cuidado, hoje é moderno e denota justamente cuidado)

    No fim, o que vale é que, seja a linhagem que for, parta de autenticidade e constante polimento para que ele seja cada vez melhor :) tendo, mesmo na excentricidade, adequação, modernidade, elegância e principalmente uma estética sensivelmente bonita. (pois seja como for, no fim isso é o que pesará da forma mais estampada e genérica possível)

    As sandálias são lindas, gostei das três, em especial a primeira. Evidente que são para ocasiões mais especiais e com muitos condicionais para serem usadas por serem dramáticas, mas são bárbaras, pois sozinhas, e apenas sozinhas, podem tornar o look muito singular e especial. Eu gosto ;)
    São um belo detalhe, e toque de tendência (sendo muito arrojado também)
    Imagino-as com uma fluida e glamurosa túnica preta, e no caso da última sandália: até um marinho bem profundo, e mais nada. O look fica interessante com o sapato e na dose certa, sendo classudo.
    E daqui vem o sentido de contexto: se bem usado, arraso! senão..catástrofe.

    Bjs!

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